No dia 17 de agosto a Lapa sediou o “Jogo do Patrimônio Histórico”, um projeto piloto que simula a experiênciade uma sociedade diante do tombamento de um conjunto de prédios e monumentos históricos de sua cidade. A iniciativa que aconteceu no Teatro São João é uma parceria entre o IPHAN e a Prefeitura da Lapa, representada pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura.
O jogo contou com 28 empolgados participantes dos mais diversos segmentos da sociedade lapeana representando personagens de uma cidade fictícia chamada Serras Verdes. Só não valia representar funções que eles exerciam na vida real. Assim, a pedagoga Tacla Dawagi Daou virou Francesca Rachid, uma agricultora que defendia, com unhas e dentes, a preservação do sítio da família Rachid, para que não desaparecesse entre o processo de desenvolvimento e o tombamento da cidade de Serras Verdes.

Os participantes se reuniram em torno de um tabuleiro que representava a cidade, e cada um defendia seus interesses perante o grupo, argumentando a necessidade da sobrevivência de seus empreendimentos e a compatibilidade destes em uma cidade em vias de intervenção federal para a preservação de sua riqueza histórica.
Segundo José De La Pastina Filho, Superintendente Regional do IPHAN no Paraná, este é um ensaio que almeja uma mudança de postura também no próprio instituto, que deve procurar ouvir a realidade de uma sociedade antes de realizar o tombamento arbitrário. “É uma experiência na qual os organizadores aprendem a ouvir a população antes de tomar decisões e os participantes aprendem a importância da preservação e como lidar com o conflito de interesses de uma vida em comunidade”, diz De La Pastina.
Ao representar o papel do outro, o jogador percebe que existem outras realidades que convivem com a sua própria, e passa a respeitar as idéias alheias. Assim, o planejamento urbano e a adaptação ao espaço tombado tornam-se mais eficientes. “Não se trata apenas de prédios. A culinária, a cultura, os costumes, todo esse patrimônio imaterial tem muita força e deve ser considerado no processo de tombamento de sítios históricos” complementa o superintendente.
O IPHAN pretende analisar os resultados obtidos com a experiência para aplica-los em outras cidades como Parati, Tiradentes e Ouro Preto para melhorar a implantação de outros projetos de tombamento já previstos, como o de Paranaguá. O IPHAN também pretende criar um software livre, baseado no jogo, que simule várias situações de implementação de projetos (não necessáriamente de tombamento) e minimize a reação negativa da população, funcionando como uma ferramenta na gestão de riscos.
Sobre o Jogo do Patrimônio Cultural
O Jogo do Patrimônio, elaborado pelo Iphan/PR em parceria com a Ambiens Sociedade Cooperativa, tem por objetivo sensibilizar a população sobre a importância da preservação e da compreensão da dinâmica e da função social da cidade. Com ele, os organizadores pretendem mobilizar os participantes a tomar parte no resgate e na construção de sua identidade patrimonial.
