NOVA IGUAÇU - Educadores de 25 países reunidos no Fórum Mundial de Educação, que terminou no dia 26 de março em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, recomendaram que os governos invistam pelo menos 6% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor.
"Defendemos a construção de um projeto educacional emancipatório, no qual os Estados assumam, sem concessões, sua responsabilidade inalienável no financiamento da educação pública e destinem, para sustentá-la, pelo menos 6% de seu PIB", diz a Carta de Nova Iguaçu.
O Fórum Mundial de Educação, um dos apêndices do Fórum Social Mundial que nasceu em Porto Alegre, durou quatro dias e contou com a participação de 30 mil educadores, estudantes e representantes de movimentos sociais de 25 países, em sua maioria latino-americanos.
Após os encontros anuais realizados em Porto Alegre, São Paulo (Brasil), Córdoba (Espanha) e Caracas (Venezuela), os organizadores do Fórum programaram sua próxima reunião para 2008, novamente em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, que conta com um projeto de educação cidadã bastante elogiado.
O documento final do fórum reitera a defesa da escola pública, gratuita, laica e de qualidade.
A Carta de Nova Iguaçu define a educação como um direito humano e um "instrumento fundamental na construção de uma sociedade mais justa".
Durante os quatro dias de reunião, foram expostos cerca de 460 projetos pedagógicos e educativos, pesquisas e teses, em sua grande maioria brasileiros, mas também de países como Colômbia, Uruguai, Camarões e França.
O objetivo do encontro foi compartilhar pequenos projetos pedagógicos que tiveram êxito ao promover a integração cidadã, para que possam ser seguidos em outros países.
O documento final também expressa a solidariedade dos educadores com os familiares das 29 vítimas do massacre ocorrido há quase um ano, em 31 de março de 2005, em Nova Iguaçu.
Jogo do Direito à Cidade auxilia na compreensão da realidade

A Ambiens Sociedade Cooperativa também participou do evento como convidada pelo Instituto Paulo Freire. A oficina autogestionda teve a aplicação do Jogo Direito à Cidade para as crianças que estiveram no Fórum.
Para a psicóloga Renata Dutra, o jogo auxilia as crianças a se apropriarem de noções do direito à cidade. " A metodologia proporciona uma descoberta da realidade em que a criança está inserida, principalmente quando surge a questão da ocupação irregular em que ela tem que se posicionar, afirma a psicóloga. De acordo com ela, a violência e os esteriótipos dos moradores da favela apareceram fortemente, mas durante o jogo os preconceitos puderam ser descontruídos. O jogo do Direito à Cidade une o lúdico à uma educação cidadã, conclui Renata.
